O que acontece quando a efêmera vida, que parecia ainda longa para um jovem, se enche de perspectivas através da morte? Nosce te ipsum. Qual seria o momento ideal para que as trevas mostrem sua luz e o abracem para um caminho que o levará a dilemas sobre o caos, sobre a vida e a morte e sobre a linha tênue que separa (se é que separa) esses dois estados? Nosce te Ipsum. Há algo em comum nos corações inertes de todos eles, que é o medo da morte final. O quanto demorará para se darem conta que já estão mortos desde o dia em que nasceram? Até que o Nosce te ipsum se cumpra.
Houve um momento em que eu esperei encontrar um sentido nisso tudo. Poder, influência, ódio, amor... Nada satisfaz completamente alguém que pode ter vida eterna, foi a única conclusão a que cheguei até agora. Meu Nosce te ipsum ainda não terminou. Mas enquanto não se dão conta, fazem seus embates por seus motivos egoístas, me deixando com a eterna dúvida: até onde é capaz de ir um neófito pelos seus objetivos? Há sangue forte no caminho de todos. Sangue muito forte... Mas isso não parece preocupar ninguém. As primeiras alianças (por assim dizer) estão sendo formadas e, vejam só, as mais inesperadas. Alguns anciões observam com desdém e outros com atenção. Podem ser soldados valiosos no fim, afinal.
Se eu fosse poderoso demais pra me arriscar, pediria pra fazerem o trabalho sujo e perigoso pra mim? Se eu fosse mal o suficiente pra temer meu próprio mal, delegaria ele a outrem? Se tivesse medo de perder a cabeça, colocaria outra cabeça na linha de tiro, mesmo que essa fosse de alguém que eu amo? Se eu pressentisse o perigo chegando, poderia preparar uma isca pra ficar no meu lugar e segurar o mal enquanto eu fujo? Se eu não visse sentido na não-vida, quebraria tudo e faria de quem quisesse vir junto um igual? Eu seria assim se tivesse oportunidade? Talvez!
