O dia é dotado de horas e minutos que se passam sem que muitos percebam, no meu caso por exemplo a apreciação do tempo é diferenciada, pois, sei que a cada novo segundo que se passa uma nova e incrível história é escrita ou contada. Acredito que eu durma pouco em relação a isso, não posso perder tempo, mas, tenho uma grande vantagem, sempre quando durmo eu sonho e essa noite não foi diferente.
Contemplo em meu sonho um lugar esplendido, olhando a minha volta vejo uma pequena aldeia, em sua volta a leste e oeste uma bela floresta tropical, ao sul um grande lago onde pessoas pescam e se banham por divertimento e, ao norte, altas montanhas negras com seus picos alvos transbordando neve e mistério, um local mesclado de paisagens e belezas naturais deve permanecer oculto e preservado e tamanha era a beleza daquele local.
E a pequena vila que se formava dentre essa paisagem também merecera meus respeitos, era formada toda de blocos de pedras bem alinhadas e cortas, mesclada com telhados de madeira, era uma vila forte, o tipo de construção que suportará os castigos dos tempo, porém, não eram apenas seus prédios que eram fortes, seus habitantes eram corpulentos e imponentes até no andar, os braços largos seguravam as ferramentas de trabalhos diários como se nenhuma força precisasse ser empregada para aquilo, suas barbas grossas e trançadas, em sua grande parte douradas ou ruivas mescladas com suas baixas estaturas nos dão uma certeza bem clara de quem são, anões.
Meus sonhos não me revelam nada futuro, então, acredito que, como todos sabemos esse povo não existe mais em nosso mundo, eles mesmos se dizimaram em suas barbáries. Em qual era estou? Isso é deveras intrigante.
Ainda que incomuns apenas vejo pessoas normais trabalhando, pescando, mulheres caminhando com seus cestos de roupa e também de comida, posso caminhar entre eles sem que me percebam e isso é grandioso, porém esses relatos serão normais e simples, além da beleza do próprio local nada mais há aqui, espere.
Vejo um anão diferente, as barbas brilham como a de ninguém, porém essa é alva e muito bem arrumada em sua trança dupla, os olhos dourados e cansados, um amarelo que refletem a luz do sol como ouro, um ancião acredito eu, e respeitado, pois, quando ele levantou a mão, todos olharam e se aquietaram.
– Meu Povo, chegou a hora dos nossos filhos reivindicarem o poder de nossos ancestrais, o machado feito pelo próprio Andvarii será encontrado. Muitos tentaram e falharam, nenhuma tribo do norte foi capaz até agora de encontrar, mais encontramos uma pedra solar com um mapa talhado em sua face e acreditamos que essa seja a chave. Norawtta triunfara na história e nosso povo reivindicara a supremacia que governará todos os anões!
As pessoas em volta dele gritavam e urravam em volta dele, um aparente idioma antigo ecoava nas vozes de todos como um antigo grito de batalha, em quanto o povo comemorava uma antiga esperança um grupo de 16 anões, pelo que pede perceber, se organiza as costas do ancião, todos trajados com uniformes de batalha extremamente grandiosos, armaduras completas feitas perfeitamente para seus tamanhos e forças, todas ornamentadas em ouro, forjada em pura prata, com dobras de couro de búfalo, eram perfeitas. Quando se organizaram todos, o ancião levantou novamente a mão e todos novamente se quietaram.
– Esses são os nossos filhos, os filhos desta terra e serão eles que trarão a gloria ao nosso povo, que o pai de todos os deuses olhem por vocês mesmo em seu sono, que suas conquistas em sejam cantadas em todas as 5 tribos do norte e que seus machados voltem sujos com o sangue de nossos inimigos e com a benção dos céus, nada irá parar vocês, pois, vocês escreverão os seus destinos. Agora caminhe meus filhos e rumo ao triunfo!
Com novos gritos e cantos os anões começaram a partir, pude perceber que o ancião chamava um ao seu encontro, discretamente e disse: – Tome cuidado meu filho, ninguém poderá mensurar os perigos que vocês irão encontrar, lidere-os e torne-se o rei.
Com duas tapas nas costas e um forte abraço eles se despediram e partiram e eu caminhei com eles, foram quase 3 luas de caminhada em direção as montanhas e subindo elas, alguns se foram no caminho, pois, não conseguiram resistir ao frio. Outros pela loucura, a neblina que se adensava a cada subida deturpava a mente e a visão dos homens, mais o filho do ancião continuava firme e forte, Baldurah era seu nome e para tudo os outros os chamavam, era ele o mais respeitado entre todos.
E foi com a ascensão da quarta lua que eles chegaram ao seu destino e ali chegaram apenas nove, sempre guiado por um mapa em uma pedra, Baldurah levou o seu grupo em uma pequena passagem pela rocha, uma fenda perceptível apenas a visão de um surpreendente caçador, adentrando a fenda uma escada foi iluminada por suas tochas quase se apagando até que Baldurah avistou um pequeno corredor de azeite que descia pelas paredes internas da montanha como um corrimão, ele riu e riu a bom rir, os outros anões não entenderam o que ele tinha visto de engraçado, pois, todos estavam saturados da viagem até ali.
E eu pude entender também logo após, ele encostara o fogo no azeite e um rastro de fogo foi descendo as escadas até se perder de vista, uma iluminação perfeita feita dentro da caverna, a afirmação de malditos anões foi dita por Baldurah e repetida por todos e finalmente entenderam a graça, todos apagaram suas tochas para preservar seus itens de expedição e começaram a descer.
A escada revelada pelo fogo era uma verdadeira obra da arquitetura, não consigo compreender como aquilo poderia ter sido construído dentro de uma montanha, não teria sido mãos de homens que fizeram tão perfeita construção, fogo era infinito e acompanhava a também infinita escada, que descia e descia, as paredes em volta da escada tinham sido polidas e ornamentadas, algumas joias que acredito serem de imenso valor eram vistas, mais eles não retiravam nenhuma, estavam em buscar de algo muito maior.
Naquela jornada eles não descasaram e por três dias eles desceram e desceram, eu meu estado de sono não sito fome nem sede, bem como também não me afeto pelas condições locais, porém era visível que o frio foi substituído pelo calor e nessa descida, mais um anão se fora.
Até que as escadas acabaram, revelaram-se aos meus olhos uma grande porta de ouro, ornamentada com as mais preciosas pedras e em cima em uma escrita que até eu desconhece dizia: “Dalhin sa akin ang susi at ako ay magbibigay sa iyo ng kapangyarihan upang Command”. Talhado a porta um anão observava a todos e uma fenda quadrada se dispusera sob suas mãos, até que Baldurah entendera, o mapa também era a chave, encaixara cuidadosamente a pedra e quando a porta estava completa estalos foram ouvidos, a porta rangeu como uma porta que não é aberta a mil anos, e lentamente foi descendo revelando uma cena que acho que nunca esquecerei.
Um salão oval amplo todo feito de ouro e todo e qualquer pequeno espaço daquele salão era ornamentado com histórias e lendas, deuses e suas criações, a origem da nossa terra e do sol, havia grandes círculos alinhados em uma grande esfera, datas, armas, todas as histórias, contos, quase me esqueci dos anões que estavam ali também, pois, fiquei maravilhado de mais com aquilo que presenciava, e no meio do salão, estava aquilo que buscavam.
Eles estavam ainda do outro lado da porta, acredito que com medo de passar, ou não consigam realmente ter uma ação, pois estavam desacreditados que realmente tinham conseguido encontrar o seu tesouro, era um machado de dois lados feito em prata e ouro, ornamentado com safiras e esmeraldas e em seu cabo, uma fita de couro dourado estava amarrada.
Nunca vi tão bela arma, porém minha apreciação era apenas de um estudioso, a deles era de uma admiração quase que doente e até as pernas do próprio Baldurah tremeram, até que finalmente eles se olharam e decidiram entrar, em silencio. Todos os oitos pararam em volta do machado e felizmente nada os atacou, nem armadilha nem novas tormentas, acredito que tudo que eles passaram já era mais do que suficiente, até que pude perceber um pequeno detalhe, estavam todos perplexos pelo que havia escrito na base onde se encontrava o machado.
E dessa vez Baldurah leu, alto e grave: “Isa lamang ang maaaring magtataglay ng mga banal na” novamente eu não consegui entender, mas, um outro anão traduzira pra mim, dessa vez, com voz de tristeza: “Apenas um poderá levar o Divino”.
Por um minuto o silencio dominou o salão, até que um dos anões gritou: – ENTÃO SEREI EU! – e atacou o anão ao seu lado, e amigos, irmãos, parentes, se atacaram um e outro buscando a morte de seu próximo, menos Baldurah, este era nobre e ouvira os ensinamentos de seu pai, o sangue de meu machado deve ser de meus inimigos e não o sangue daqueles que amo, e ele não lutará, mas, tinha apreço por sua vida e foi obrigado a se defender.
Fiquei abismado com o intenso poder de combate que aqueles guerreiros eram dotados, mesmo depois de tudo aquilo que passaram, lutavam como se estivessem totalmente revigorados, e depois de quase 6 horas de batalhas, apenas dois sobraram. Baldurah e Thariel.
– Thariel não faça isso – disse Baldurah – Deve haver outro jeito, leve para si então o machado, não quero tirar sua vida meu irmão.
– Se sair daqui vivo Baldurah, então seremos dois e nenhum dos dois terá a honra necessária para portar aquele machado, então que seja eu, ou até você, mas um de nós será.
E Thariel avançou, exausto, mas Baldurah pouco tinha lutado e se esquivou por muito tempo, até que por uma jogada de habilidade Thariel conseguiu uma falha na defesa de Baldurah e direcionou o machado a sua face e para que não fosse decapitado Baldurah levou a mão a cabeça e conseguiu desviar o ataque, sua mão na hora rompeu em sangue e com um giro, Baldurah fincou seu machado no peito de Thariel, este morreu sorrindo.
Baldurah irrompeu em lágrimas, um pranto que não era digno de um guerreiro e sim de uma criança, ao seu redor, sete corpos deformados e sangrentos misturados a beleza do salão com o terror daquela batalha. Depois de algum tempo Baldurah levantou, tomou-lhe para si o machado e saiu, quando atravessou a porta de ouro, a mesma começou lentamente a subir e Baldurah deu uma ultima olhada nos corpos que ali eram entregues.
Quando a porta terminará de fechar Baldurah arrancara a chave da porta, jogara a mesma no chão e com seu novo machado quebrara a chave no meio, e nisso eu que quase chorei, quanto conhecimento jogado fora, não haveria como entrar mas naquele salão sem aquela chave. E, ainda, apanhou um dos pedaços da chave e escreveu no chão “Aqui jaz todos os meus irmãos” e largou um pedaço da chave no chão e levara com si o outro.
O semblante de Baldurah mudara, agora não era a força que estava escrito em sua testa, era rancor, mágoa e tristeza. Ele quase não descasara e nem comera em sua volta pra casa, acho que sua fúria o alimentava, ou era o machado. Não sei se ele detém propriedades magicas. Acompanhei Baldurah até seu regresso a vila, todos olhavam com alegria ao ver o machado, mas com curiosidade e tristeza ao ver que ele retornará sozinho, triste ele falou.
– Meus irmãos se foram por este machado e eu honrarei seus nomes, mas não quero ser chamado de rei, continuarei sendo um guerreiro que acabara com qualquer um que levantar a mão a qualquer membro dessa tribo.
E saiu, o povo se afastou dele. Naquele momento meu sonho avançara, vi batalhas, mortes, muitas mortes, todas pelas mãos Baldurah, ele era suficiente para acabar com um exercito e assim ele fizera. E depois vi ele se despedindo do tumulo de seu pai, não havia mais lagrimas, mas ele dissera que não queria nada mais daquilo, e novamente meu sonho avançara em neblina e pude ver, Baldurah com sua barba mais discreta, sem nenhum item de batalha a mostra, ele parecia mais um mercador do que qualquer outra coisa, rumando sempre ao Sul. Um punhado grande de ouro, um machado envolto em panos, uma cicatriz de batalha e mágoa, a mágoa de toda uma nação. E, eu acordo.
Segue ai mais um texto da minha mesa galera, quem tiver que entender entenderá.
Salve aos Corvos!
*Texto relacionados à alguns jogadores da Crônica, os mesmo não serão citados para preservar alguns segredos.
Mesa: Os Contos Perdidos de Eastroot - Sistema: Storyteller - Vampiro a Mascara: A Idade das Trevas
Crônica: O Culto Perdido de Arcangêlo
Mestre: Qanah Teulu


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