CAVERNAS DE GRJÓTAGJÁ - ISLÂNDIA
93 DIAS ANTES
Alan Phillip King
Muitos se reúnem. Todos de
tantos lugares e datas e poder que não sei dizer como podem existir ainda
tantos. Uma torre de babel cainita de mesmo sangue. Para onde olho e caminho
dentro da caverna, vejo todos rindo e conversando. Eu vivi por séculos e nunca
- ou ao menos não me recordo - vi tantos de meu Clã rindo e/ou conversando. Sempre
servimos a senhores por proteção! Vagávamos sem rumo pelo mundo, indo de feudo
em feudo reverenciando Toreadores, Lasombras, Tizimisces e Ventrues, sendo
humilhados e chamados de Cães. Agora eu me vejo sentado ao redor dos melhores
que restaram, Xaviar, Morifen, Doc, Thompson, Brunhild, Odin e outros, todos ao
redor do trono onde ela está!
E ela, ela nos olha a cada
um com o olhar singelo de uma devotada mãe que por muito tempo não pôde estar
ao nosso lado. Ela nos ouve, ela nos dá conforto, suas historias vão além do
tempo de todos nós e, por mais que ela nos conte estas mil vezes, sempre
tiramos algo novo de tudo que é dito. Definitivamente derramei minha lágrima
verdadeira no dia que eu a vi se erguendo do meio do gelo enquanto o céu se
tornava vermelho! Eu pude ver lobos virem honrá-la e isso nunca poderá ser
escrito em nenhum registro prateado deles! Agora, nesse momento, estamos todos
aqui esperando ela falar...
Não tarda e a senhora de
todos os lobos pede atenção e a palavra...
-Não sei ao certo quantos
dias vagaram até aqui! Nem mesmo sei seus nomes todos e dos que se foram desta
vida. No entanto, vocês têm meu sangue e meu poder. Fomos atacados frontalmente
na guerra que meus irmãos e eu demos o nome de Jihad. O sangue do círculo
interno derramado me fez acordar de meu sono de muitos séculos. A última vez
que nos encontramos havia sido em Constantinopla e muitos de vocês que aqui
estão hoje não estavam lá. Naquelas noites que duraram semanas, nós
confrontamos diretamente a face da Jihad na figura de meu irmão mais velho.
Assamitas estavam ao nosso lado e Malkavianos corriam pelas ruas enquanto estas
pegavam fogo. Toda Constantinopla queimou naqueles dias. Nosferatus caíam
mortos nos esgotos perseguidos pelos Nictuku e os Lasombras, com seus feitiços,
impuseram à batalha um nível superior a qualquer outra desde a segunda cidade.
Sobrevivemos e vencemos em Constantinopla e não graças por completo a nossos
aliados, mas sim por sermos unidos e termos um plano!
Há
muitos mil anos atrás havia um plano e ele foi posto em prática! Por muito
tempo eu pensei que havíamos perdido o rumo dele e de tudo, mas acreditei que
cada Grangrel só vivia para viver mais um dia até o dia final. E daí eu
caminhei pela terra dividida em meu poder, caminhei até todas as fronteiras
conhecidas e desconhecidas pelo homem. E por fim eu dormi. Profetas de nosso
Clã profetizaram uma luz vermelha nos céus da Escandinávia enquanto outros
diziam que algo caminharia pela África! Ambos estavam certos acerca disso. Quando
o Círculo Interno caiu, o céu brilhou em fogo e eu caminhei pela África. Fora necessário
derramar o sangue de muitos de meus filhos para que eu retornasse!
Retornasse
para não deixar mais ele ser derramado! Na Escandinávia, meu eu se sentou ao
trono e eu mesma caminhei por todo o Continente negro arrebanhando os meus
filhos. Sem rumo fui até as terras de Uruk e até as fronteiras de Ur, onde tive
meus dias mais brilhantes. Desci até as terras de Nod e Enoque e, por fim, vim
até a Escandinávia, onde me uni a minha outra metade. Com o conhecimento e
minhas lembranças em ordem, eu ordenei a todos aqueles que traíram meu sangue o
poder que ele mesmo lhes dava. Ao meu lado ficaram todos vocês, todos vocês os
que aceitaram vir até aqui e me ouvir!
Pois
bem filhos e filhas! Diante de vocês se encontra sua mãe e ela não quer apenas
falar. Ela quer lhes ouvir! Ouvir tudo de todos os lados e ângulos possíveis
para juntos, como uma família, mostrarmos aos meus irmãos que o Clã Gangrel não
desistiu e não está morto. Nós temos um plano!
HOJE
Floresta Negra - Alemanha
Um velho lobo sobe até um amontoado
de rochas e, em meio a noite, ele alça seus pulmões à
lua em um uivo de apelo e
súplica. Conta nele uma historia antiga e pede passagem para um irmão que
perdeu com honra outro irmão! Em meio a árvores, grifos de cor prata, escritos
na língua dos Garou, abrem portas para a dimensão onde o homem comum não
caminha. Dela grandes lobos de pelo longo e negro, uns velhos e outros jovens,
saem. Parecem guardiões da passagem do local. Eles ouvem o apelo do velho lobo que
incansável não se esmorece e continua a uivar. Alguns lobos mais velhos sorriem
e voltam ao meio das árvores, outros lobos mais jovens rosnam mas respeitam o
pedido do velho e insistente lobo e aos poucos retornam a escuridão da floresta.
Os grifos param de se iluminar e o lobo por fim termina seu uivo. Ao seu lado
uma barata parece lhe esperar. O velho e agora cansado lobo olha para a barata
e murmura... “vai avise que podem passar, velho espirito da barata”. O lobo
caminha por entre as pedras e some, assim como os outros lobos em meio a
escuridão da Umbra.
Thompson - Atenção comboio, temos permissão para
passar. O espirito que guarda o velho lobo veio avisar e o uivo dele se fez
honrado. Temos passagem segura pela Floresta negra!
Os motores são ligados e os Batedores se desarmam. Aparentemente
todos sabem que empunhar armas de fogo seria um ultraje ao acordo de passagem
que acaba de ser feito.
Morifen - Alan, contate Doc e diga que estaremos em
Frankfurt amanhã de manhã!
Alan - Assim que atravessarmos a floresta Morifen, no
primeiro sinal do satélite eu contato Doc!
Morifen sobe na carroceria do blindado e ali, ao olhar
para todo o comboio, faz refletir na mente de todos o seu pensamento.
Morifen – Senhores, a mais de três meses atrás nós
todos estávamos meio perdidos e nos encontramos nas palavras de nossa mãe!
Senhores, hoje assim que atravessarmos essa floresta e chegarmos a Frankfurt, a
primeira parte de tudo que foi dito naquelas noites estará concluído! Eu
agradeço aos que caíram para que conseguíssemos chegar até aqui e agradeço a
todos que não deixaram de cumprir a promessa feita naquele dia! Pois se um só
de nos continuar de pé, o plano deve prosseguir!
Ao fim do discurso o Matusalém Gangrel se volta à
estrada e as àrvores. Além delas está algo que ele sabe que pode ser seu fim e
o de todos ali. Nesse instante, ele remonta tudo que foi dito a ele por
Shidigina e tudo que foi dito a ele por sua mãe. Enquanto ele se recorda, uma única
frase ele pronuncia para si próprio nesse momento, como se nela buscasse forças
para continuar.
Morifen - Vida longa ao Rei...
Continua...
Por S Gama Junior




:^0 ... sem saber o que pensar direito, por vários motivos.. melhor ir trocar as calças... rs
ResponderExcluirO Atraso em postar Morifen parte 6 & 7 se deve as informações neles contidas causarem problemas nas sessões de jogo dos dias 20 e 21 de Dezembro de 2014. Contudo segunda feira, quarta feira e sexta feira a postagem voltará ao normal!
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