(Sessão 01 - mestrado em 06.09.14)
Uma
cerveja para ser boa tem que ser forte e encorpada, mas esse nem é o maior
atrativo de minha taverna, aqui os homens também procuram, digamos, se
divertir, sempre belas mulheres os servem, nem sempre belas eu diria, mas,
sempre tem o que se procura. É um ótimo local para se passar o tempo e perder
algumas moedas de ouros para mim. E não podemos esquecer também dos nossos
aposentos, temos ótimos quartos por ótimos preços, até porque estamos perto de
todo o centro de Eastroot.
Mas
esta noite seria triste, os fregueses não costumam a nos dar o ar de suas algibeiras
em meio de semana, mas como o de costume, só seria, pois, tenho o melhor barril
de cerveja me esperando bem perto de mim, copo após copo, não consigo, mas me
embriagar como antigamente, cada dia que passa meu corpo se acostuma mais a
cerveja, mas fiquem tranquilos, nunca perderá a graça e tenho cerveja
suficiente por corpo não aguentar.
A
noite se passa e o sol trás minha ressaca ao despertar da manhã, naquele dia,
como de costume, fui a praça central da cidade para descansar um pouco a mente
e isso sempre me faz bem, passo um tempo ou outro olhando para cidade, este
lugar tem uma arquitetura extremamente rica e muito me agrada ver construções
capazes de suportar o tempo, isso lembra minha casa.
A
manhã chega em seu ápice quando o sol se estabelece e cima de minha cabeça, a
forme urra e a dor de cabeça se esvai, isso significa que hora de voltar para
casa. As meninas já estão limpando local, arrumando tudo para a noite de hoje
que eu espero que seja melhor, mais a casa nunca esta totalmente vazia, sempre
haverá um bom homem que deseja afogar suas magoas na melhor Taverna da cidade. Assim
como sempre haverá aquele homem que não detém o vigor necessário para aguentar
uma boa dose de cerveja que fica, digamos que, perturbando o ambiente,
insultado as meninas, os que jogam moedas para verem os seios delas, já perdi
muitas cadeiras por causa disso, seja quebrando pelo tombo ou sendo quebradas
pelos homens que defendem “suas’’ mulheres.
–
Já sabe da novidade da cidade Tholin – um bom homem diz para mim.
–
Que novidade meu amigo?
–
O banco não existira mais, não pelo menos da forma que já foi um dia, parece
que depois que o Thomps faliu o banco e se matou, os filhos só viram como solução
vender o banco. Parece que alguém de fora da cidade, já viu como esta a vila do
falecido, esta muito bonita agora. Só é estranho um mausoléu que construíram
dentro da residência, era mais fácil usar o cemitério da cidade, estranho.
–
Você precisar para de beber meu velho, você fica mais gago a cada gole.
–
Nunca largarei minha boa e velha amiga cerveja meu caro, ela que sempre esteve
comigo. – diz o homem seguido de várias gargalhadas.
–
Então estarei aqui para vende-la a você. – eu digo
–
É claro, como bom taverneiro que é, sua cerveja como sempre amarga, escura,
encorpada, assim como deve ser uma cerveja.
–
Tome mais uma, esta por conta da casa.
Ele
rapidamente toma a cerveja, o cara é bom, virou tudo com apenas uma golada e
voltou a falar:
–
Parece que chegará hoje... ric. Sua trupe já esta na cidade, ele tem uns
empregados bem estranhos. Um deles então me da medo, é um homem velho... ric, pálido,
parece que esta morto.
–
E como conseguiu saber de tudo isso meu rapaz? – eu pergunto curioso.
–
Sabes que sou um ambulante, preciso trabalhar para pagar esta conta, vendo
coisas por toda a cidade, ando por todas as ruas e becos e aquele cara despertou
minha curiosidade, então parei um pouco para observa-lo, eu sabia que ele não
era da cidade. Troquei meia dúzia de comprimentos com eles, e isso bastou.
–
E onde exatamente foi isso?
–
Ele esta na casa do velho Thomps, o antigo banqueiro, só que ele comprara as
duas casas ao lado e construíra uma única coisa, é uma construção grandiosa, ostenta
riqueza e poder. Você precisa sair mais da cidade meu bom homem, você precisar
ver mais o que acontece na cidade.
São
suas ultimas palavras depois apagar por causa da bebida, batendo fortemente com
a cabeça no balcão. Deixe que descanse um pouco. Afinal, ele é um bom freguês.
–
Nicole, dê uma olhada na taverna, vou dar uma volta. – digo eu para uma de
minhas meninas.
–
Claro meu amor, pode deixar.
A
tal construção era apenas a três quadras de minha casa, nada tão longe, e no
final o homem estava certo, era uma bela construção, a pequena cerca em volta,
com moldes distintos revelam as outras duas casas que ficavam em volta e que
foram tombadas, no local, agora, existe um pequeno galpão fechado e do outro
lado, um pequeno jardim com o mausoléu ao fundo, uma construção bonita aquele
tumulo, feitas com pedras mármore escuras, não muita alta, porém fina, como uma
pequena torre de um castelo. Uma construção digna de alguém muito rico.
O
que mais desperta a minha curiosidade é que a casa não tem um portão, preso a
cerca existe apenas um grande arco, com uma frase em cima escrita com um idioma
que desconheço. Depois de algum tempo observando vejo sair do galpão um homem
com as feições que me foram ditadas. Além de todos os detalhes que já me foi
dito ele também usa um terno muito bonito, de veludo roxo, com babados e outras
frescuras.
Seu
andar arqueado revela um homem sem aparente presa, ele caminha pelos ternos da
casa como se procurasse algo, acredito eu que ele procurasse defeitos, coisas a
serem reparadas, afinal, uma obra tão bonita não poderia ter erros.
O
Homem percebe minha presença e faz um aceno cordial de longe e eu começo a
caminhar em sua direção.
–
Eis novo por aqui? – eu pergunto
–
Io cheguei recentemente in questa cidade para receber mio signore, ele morará
nesta casa – diz ele apontando para casa.
–
Me chamo Tholin, mas todos me chamam de meio copo e não me encomodo, sou dono
da maior taverna da cidade e vim dar um olá para reforçar as boas maneiras da boa vizinhança. Interessante
sua construção. Ele começa a olhar como
se me observasse de longe.
–
Taverna... assim claro, uma taverna. Bom encontrar com você então, você vende
bebida apenas dentro da taverna ou também vende em barris fechado?
–
Sim claro, isso lhe interessa. – eu pergunto, senhores de grandes aquisições
geralmente não frequentam minha casa e um cliente é cliente.
– Sì, mio signore esta chegando hoje a noite in
questa cidade e em nossa casa apreciamos o buono vino, quanto custaria? – ele
me pergunta.
–
São 2 moedas de ouro o barril grande. – ele prontamente me entrega quatro
moedas de ouro.
–
Quero o melhor barril
–
E assim terás. Soube que compraste o banco. – ele me ouve e da uma pequena
rida.
–
No, no, sou apenas um maggiordomo, um empregado, quem comprou foi meu senhor
Henrico.
–
Entendo, isso é bom para a cidade.
–
Sì, a prosperidade virá cada vez mais a esta casa, tenho certeza que mio
signore fará um excelente trabalho aqui. É uma cidade bonita, antiga, merece
crescer cada vez mais.
–
Então diga a seu Senhor que é bem vindo aqui.
–
Agradeço. É bom ter aliados assim, somos novos aqui e ter pessoas confiáveis ao
redor é sempre bom. Mi scusi, ainda estou me abituando com seu idioma.
–
Sem problemas.
–
Terei que me retirar, ainda há coisas para se fazer, Potrebbe fornire,
entregar, o barril questa sera, nesta noite.
–
Sim é claro, mandarei entregar aqui o mais rápido possível. Foi bom conhece-lo.
– eu digo.
– Com su permesso, ainda há muita coisa a
fazer. – ele me presta uma revência a se afasta em direção ao mausoléu.
Eu
volto a taverna, vou diretamente providenciar o barril para que seja entregue,
ainda fico meio em dúvida se entrego o meu barril ou o barril dos clientes, ele
pagou muito bem, não, será o barril dos clientes mesmo, este já é muito bom, se
mandar o meu ficarão acostumados. E peço que alguns homens entreguem o barril.
A
noite começa a cair, a taverna começa a crescer e novos boatos surgem, é incrível,
quer saber tudo o que acontece nesta cidade venha até a minha casa, acho que
escreverei isso lá fora para atrair novos clientes, esses bêbados não tem
medidas na língua. Agora o boato novo é que um antigo Sezefredo estaria vindo
pra cidade, todos sabem que essa família esta aqui a todo o tempo, mas, que nas
nasceram aqui.
Até
concordo que é estranho, na mesma noite chegaram três pessoas diferentes com
uma certa importância relativa, mais, não há nada de anormal nisso, essas
pessoas bebem de mais. Há de ser algum dia especial, um dos bêbados falam,
enquanto um outro diz que é a culpa é da lua, enfim, esses assuntos de pessoas bêbadas,
conheço bem eles. Um deles pergunta o que tudo isso significa e todos na mesa
ficam sérios.
–
Significa que você tem que esquecer o que acontece lá fora e curtir a boa vida
aqui dentro. – eu digo.
Um
deles levanta uma caneca em minha direção e diz: – Tholin esta certo, vamos
beber! Afinal, estamos aqui pra isso.
A
noite finalmente caiu totalmente, lá fora, ouço barulhos de cavalos, porém é um
barulho um tanto quanto alto, como se fossem cavalos maiores. Eu vou até a
porta da taverna dar uma olhada, ver o que acontece. É uma noite bonita aquela,
a lua esta cheia e ilumina as ruas lá fora. Avisto de longe, se aproximando,
uma grande carruagem, é diferente de todas que já vi. Esta é grande, feita aparentemente
toda ferro, bem polido e brilhoso, seus adornos são de veludos e plumas vermelhas,
até o acento do cocheiro parece valer muito, na frente da carruagem um grande G
ornamentado, como se fosse um brasão. É uma verdadeira obra aquela carruagem,
pela semelhança das roupas acredito que ali dentro da carruagem esteja o novo
dono do banco.
Um
homem dentro da carruagem observa tudo que passa, passando em frente a Taverna
me faz um aceno e eu retribuo, ao que indica esta indo para o centro da cidade,
eu observo.
Eu sigo em direção ao caminho que a carruagem fez, ele foi para a
fonte no meio da cidade e quando o vejo ele esta curvado, acredito que esta vendo
os homens que estão esculpidos no pé da arvore branca.
Não
há de ser nada, todos sempre querem ver esta fonte, mas é hora de voltar para a
taverna, a casa esta cheia e hoje é dia de Tholin trabalhar e não de beber. Eu
volto para casa, cada vez mais cheia a casa fica com o cair da noite e isso é
muito bom. Mais sinceramente, não consigo esquecer aquele G, o que será que significa
toda aquela riqueza para um único símbolo.

E a morte chega a cidade. Disfarçada de luxo e riqueza, ela se revela a essa gente com objetivo de consumir tudo. Mais um muito bom.
ResponderExcluirTholin curioso
ResponderExcluirThiago sempre capta a essência da coisa.
ResponderExcluirGood!
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