Ecce Crucem Domini! Fugite partes adversae! Vicit Leo de tribu Juda, Radix David! Alleluia! Não pude me conter, mesmo que em minha mente repeti a antiga oração de Santo Antônio, ao entrar nesta cidade posso sentir a presença que ela se impõe. Esta cidade cuja visão se perde no olhar dos homens é vasta e ninguém que a adentra deseja sair dela, é o que dizem. Sinceramente, não gostei deste lugar.
Depois de vários e cansativos dias de viagem finalmente cheguei a Eastroot, fui enviado de Roma para que pudesse investigar um culto não católico de uma entidade denominada aqui de Arcangelo. Depois de aproximadamente 3 horas de cavalgada, cheguei ao centro da cidade, sei que deveria ir diretamente a Capela de São Fócio como recomendação do Arcebispo, mais não conseguiria dormir nesta cidade sem ao menos confirmar algumas pequenas histórias, se procederem minhas investigações tomarão rumos diferenciados.
Exatamente no meio da cidade fora construindo uma majestosa fonte feita de mármore, seus bancos são feitos de madeira branca e formam 2 semicírculos em volta da mediana estatua que se assenta ao meio. Uma arvore, completamente branca, ao me aproximar pude ver atentamente os detalhes da mesma. Em baixo da arvore existe uma base circular e plana com três pequenas miniaturas, dois homens e uma mulher, olhando pra cima, como se contemplassem o tamanho da arvore. Penso que a pessoa que construiu essa estranha fonte não tem muito senso de proporção, pois, os bonecos não chegam a ter 15cm enquanto a arvore possui um pouco mais de 3 metros creio eu. Em volta da arvore um pequeno lago circular com alguns peixes dourados.
Avistei um homem de baixa estatura, sentado em um dos bancos, provavelmente um residente da cidade, irei me aproximar dele e fazer algumas perguntas, talvez possa ele sanar minha curiosidade inicial, a história desta cidade é rodeada de rumores, quero muito saber quais deles são contados pelo que aqui realmente habitam.
– Boa manhã meu rapaz, meu nome é Matteo, eu venho de Noma para melhor conhecer essa cidade, moras aqui – pergunto eu a ele.
– Boa seu padre, meu nome é Tholin. Todos aqui me conhecem como Tholin, meio copo, sou dono de uma taverna a duas ruas daqui, moro aqui a 28 anos, desde que nasci.
– Meu caro Tholin, conhece a história desta cidade? Pode-me contá-la.
– Claro seu padre, minha taverna não abre agora e estou aqui tomando um solzinho pra acordar, tomei umas ontem a noite, sabe como é né, aquele lance da carne fraca e tudo mais. Mas sente-se aqui ao meu lado, a História não é pequena. Bom pelo que eu sei...

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